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AGS Engenharia e Climatização

Conformidade

PMOC: quem é obrigado e o que a fiscalização pede

A conta dos 60.000 BTU/h é da soma dos equipamentos do ambiente, não de cada aparelho. E a responsabilidade é de quem ocupa o imóvel, não de quem instalou.

6 min de leituraAGS Climatização
Prancheta com formulário sobre mesa, com difusores de ar no forro ao fundo

A pergunta chega quase sempre depois da notificação, e aí o prazo já está correndo. Vale entender antes.

O que é

PMOC é o Plano de Manutenção, Operação e Controle dos sistemas de climatização. É um documento técnico, com responsável identificado, que descreve quais equipamentos existem, o que é feito em cada um, com que frequência, e registra que foi feito.

A obrigação vem da Lei 13.589/2018, que alcança edifícios de uso público e coletivo. Antes dela já existiam a Portaria GM/MS 3.523/1998 e a Resolução ANVISA 09/2003, que definem os procedimentos e os padrões de qualidade do ar interior.

Quem precisa ter

Na prática, a referência que a fiscalização usa é capacidade instalada acima de 60.000 BTU/h em ambiente de uso coletivo. E aqui mora o erro mais comum: a conta é da soma dos equipamentos do ambiente, não de cada aparelho isolado.

Três splits de 24.000 BTU/h numa mesma sala somam 72.000 e já passam do limite. Muita empresa acredita estar fora porque nenhuma máquina sozinha chega perto.

Entram na obrigação, entre outros: indústrias, clínicas e hospitais, escritórios e edifícios corporativos, escolas e universidades, shoppings e varejo de grande área, hotéis e restaurantes, condomínios comerciais e áreas comuns de residenciais, além de órgãos públicos.

De quem é a responsabilidade

De quem ocupa o imóvel: proprietário, locatário ou preposto responsável. Não é da empresa que instalou os equipamentos, nem do fabricante.

Essa é a segunda confusão mais frequente. Ter contratado uma boa instalação não transfere a obrigação do plano para o instalador.

O que o plano precisa conter

Um PMOC que resiste a fiscalização tem:

  • Inventário dos equipamentos, com marca, modelo, capacidade, localização e o ambiente que cada um atende
  • Rotinas de manutenção descritas, uma a uma
  • Periodicidade de cada rotina, definida por tipo de equipamento e criticidade do ambiente
  • Cronograma anual das intervenções
  • Registro de execução, comprovando o que foi feito, por quem e quando
  • Controle da qualidade do ar, com os parâmetros previstos na legislação sanitária
  • Responsável técnico habilitado, identificado e responsável pelo plano

Vale destacar os dois últimos, que são os mais ignorados. Plano sem registro de execução é autuável do mesmo jeito que plano inexistente: o que a fiscalização compara é o cronograma declarado contra as evidências do que foi realmente feito. E plano sem responsável técnico identificado não é PMOC, é um documento interno sem valor legal.

O que está em jogo

  • Autuação e multa da vigilância sanitária
  • Interdição do ambiente, quando há risco sanitário caracterizado
  • Responsabilização civil por dano à saúde de ocupantes
  • Problema em auditoria, certificação e renovação de alvará
  • Recusa de cobertura de seguro em sinistro ligado ao sistema

A parte que costuma pesar mais não é a multa. É o item de responsabilização: se alguém adoece e a qualidade do ar entra na discussão, a ausência do plano é o primeiro documento que vai ser pedido.

PMOC não é contrato de manutenção

São coisas diferentes que costumam andar juntas.

O contrato é a relação comercial pela qual a manutenção acontece. O PMOC é o documento técnico exigido por lei.

Dá para ter contrato de manutenção sem PMOC, e é o caso de muita empresa que está irregular sem saber. Também dá para ter PMOC elaborado e não executado, que é irregularidade igual. A combinação eficiente é um contrato que inclui a execução do plano e a guarda das evidências.

Já fui notificado

Na maioria dos casos a notificação vem com prazo para apresentação, então dá tempo. O caminho é levantar o parque de equipamentos, elaborar o plano, iniciar a execução e reunir as evidências.

Quanto antes começar, melhor a posição na resposta. E se o sistema foi instalado por outra empresa, isso não impede: começamos por um levantamento do estado atual, que quase sempre revela pendências acumuladas, e essas pendências entram num plano de nivelamento antes de o cronograma regular passar a valer.

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