Existe uma conta que circula em grupo de WhatsApp e em vendedor apressado: 600 BTUs por metro quadrado. Ela acerta às vezes, e quando erra, erra feio nos dois sentidos.
O problema é que metragem sozinha não descreve um ambiente. Dois quartos de 12 m² na mesma casa podem exigir capacidades diferentes, e um escritório de 40 m² com fachada de vidro voltada para o oeste não tem nada a ver com um de 40 m² no miolo do prédio.
O que realmente entra na conta
O cálculo de carga térmica soma tudo que aquece o ambiente e subtrai o que a envoltória segura. Na prática, seis fatores mandam:
Insolação e orientação. Parede e janela voltadas para o oeste recebem sol de tarde, justamente no pico de calor. O mesmo ambiente virado para o sul pode pedir 30% menos capacidade.
Área envidraçada. Vidro é o ponto fraco térmico de qualquer ambiente. Uma sacada integrada com porta de vidro do chão ao teto muda completamente o resultado, e vidro comum se comporta muito diferente de vidro laminado com controle solar.
Pé-direito. A conta por metro quadrado assume pé-direito de uns 2,70 m. Em ambiente com 4 m de altura existe metade a mais de ar para condicionar, e o cálculo por área simplesmente ignora isso.
Ocupação. Cada pessoa em repouso dissipa por volta de 100 W. Numa sala de reunião para doze pessoas, isso é mais de mil watts de carga que não existiriam num quarto.
Equipamentos. Computador, forno, estufa, refletor e servidor viram calor. Em cozinha e em sala técnica essa costuma ser a maior parcela de todas, e é a que a conta rápida sempre esquece.
Renovação de ar. Ambiente com porta abrindo o tempo todo, como loja de rua, está climatizando a rua junto. Sem cortina de ar na entrada, boa parte da capacidade instalada vai embora pela porta.
Errar para mais é tão ruim quanto errar para menos
Subdimensionar é o erro óbvio: o equipamento trabalha no limite o tempo todo, não atinge a temperatura ajustada, consome mais do que deveria e tem a vida útil encurtada.
Superdimensionar parece seguro e não é. Um aparelho grande demais atinge a temperatura rápido, desliga, liga de novo minutos depois e repete isso o dia inteiro. Cada partida é um pico de consumo, o ciclo curto castiga o compressor, e o pior: ele não fica ligado tempo suficiente para desumidificar. O ambiente fica frio e úmido, aquela sensação de porão gelado que ninguém consegue explicar.
Uma referência, com a ressalva junto
Se você só quer uma ordem de grandeza para conversar, essa é a faixa que costuma aparecer em ambiente residencial comum, com pé-direito normal e sem exposição solar agressiva:
- 9.000 BTUs — quarto de casal, até uns 12 m²
- 12.000 BTUs — quarto grande ou sala pequena, até uns 16 m²
- 18.000 BTUs — sala de estar, até uns 24 m²
- 24.000 BTUs — sala ampla ou ambiente integrado, até uns 32 m²
- 30.000 BTUs ou mais — ambientes integrados grandes, comércio e área técnica
Esses números servem para você não chegar completamente perdido na conversa. Eles não servem para fechar compra, porque desconsideram exatamente os seis fatores da seção anterior.
O cálculo é rápido e não é cobrado à parte
Numa visita técnica, medir o ambiente, conferir orientação solar, olhar o envidraçamento e perguntar quantas pessoas usam o espaço leva poucos minutos. É esse levantamento que separa a capacidade correta de um chute com aparência técnica.
Na AGS o cálculo de carga térmica faz parte do orçamento e não é cobrado separado. Também não temos motivo para empurrar BTU a mais: equipamento superdimensionado dá mais dor de cabeça de assistência depois, e essa conta volta para nós.




